amar o que faz
Carreira e Trabalho

Como amar o que se faz?

“Ame o que você faz, e você não trabalhará nem mais um dia em sua vida”. Parece impossível? Então, vamos te mostrar como é perfeitamente normal amar o que se faz e ainda sentir que aquilo é trabalho.

Você com certeza já ouviu este ditado, atribuído a personalidades que vão de Confúcio a Warren Buffet. O conselho é repetido a estudantes e recém-formados como o grande segredo para uma vida completa, feliz e bem-sucedida.

Mas será que encontrar uma carreira que você ama transformará todos os seus dias em feriado? Não. Na verdade, é perfeitamente normal amar o que você faz e simultaneamente reconhecer o fato de que o que você faz é um trabalho duro.

O mal-entendido do ditado é que ele assume que nenhum estresse, preocupação ou frustração se acometerá sobre aqueles sortudos que amam seu trabalho. Há inclusive checklists na internet que medem o quanto você ama seu trabalho com itens que vão de “você ama segundas-feiras” a “você fala sobre trabalho no café da manhã e no jantar”. Se você “ama pouco” seu trabalho, vá encontrar algo que te faça feliz – é a mensagem final.

Mas, sinto dizer, isso é uma ilusão. Por mais que você esteja no caminho certo, em um trabalho com o qual você se identifica, lhe traz satisfação e explora todo o seu potencial, você pode, ainda sim, se sentir estressado, agoniado e cansado.

Isso porque:

 

Trabalho é obrigação, não diversão

Embora ambientes descontraídos de escritórios modernos indiquem o oposto, sim, trabalho e diversão são coisas radicalmente diferentes. Trabalho exige sacrifício e esforço. Se você tiver sorte, conseguirá incorporar alguma diversão e alegria a sua rotina diária mas isso não significa que você não vá preferir os finais de semana aos dias da semana.

Ao contrário de diversão, trabalho não é algo que você quer fazer – é algo que você precisa fazer. O mais provável é que, quando o que você ama se tornar seu trabalho, você não ame mais tanto aquilo.

 

Nenhum trabalho é completamente perfeito

Quase toda posição vem com algumas tarefas ingratas ou responsabilidades que não são divertidas. E tudo bem. Quanto mais você cresce, maiores as chances de ter que abraçar algumas responsabilidades que são menos interessantes para você, mas ainda assim essenciais para a sua função e para os resultados que precisa entregar.

 

Quanto mais você amar o que faz, mais você vai trabalhar

Amar o que faz é maravilhoso – o sentimento de satisfação, as conquistas, o impacto, os resultados…

Apesar disso, essa satisfação provavelmente não vem por causa de todos os e-mails que você respondeu hoje, e sim pelos efeitos maiores que surgiram deles. No geral, quem diz que ama o trabalho ama a recompensa e a satisfação que tiramos de fazer aquilo. E fazer algo bem envolve, sim, trabalhar até mais tarde ou fazer aquele esforço a mais. É um ciclo.

Por isso, o conselho de amar o que você faz é lindo. É inspirador. E é bem-intencionado. Mas pode ter o efeito reverso, de nos fazer sentir que estamos no caminho errado. No fim, é perfeitamente normal amar o que faz e ainda sentir que aquilo é trabalho. Porque, na maior parte das vezes, é.

E você, ama o que faz?

por Nathalia Bustamante,
do Na Prática

 

A Stone é grande parceira do portal Na Prática por também acreditar no potencial de investir no desenvolvimento pessoal e gestão de carreira dos jovens universitários e recém-formados. Mensalmente, o portal publica textos no nosso blog, na seção Fundação Estudar.