gestão horizontal
Carreira e Trabalho

Por que gestão horizontal é melhor que burocracia

Depois de ver as ações da Tesla Motors despencarem 25% desde setembro do ano passado, o CEO Elon Musk anunciou a seus funcionários que adotará um sistema de gestão horizontal.

Embora, no e-mail do anúncio, Musk não tenha utilizado o termo “horizontal”, as mudanças que ele descreve são tipicamente parte desse tipo de gestão. Por exemplo, a exigência que a comunicação percorra sempre “o caminho mais curto necessário para fazer o trabalho, não através da ‘cadeia de comando’”.

Isto parece um fato óbvio, dado que uma comunicação mais ágil evita mal-entendidos, acelera processos e possibilita identificar e corrigir a rota de forma muito mais simples. Mas, especialmente em grandes organizações, hábitos burocráticos aparecem frequentemente como empecilho a esta agilidade.

 

Como (e por que) surgiu a burocracia

De forma bem resumida, a burocracia é a utilização de regras e processos rígidos, que devem ser obedecidas de acordo com a hierarquia de comando de uma organização. Ela se fez necessária especialmente quando, na década de 40, empresas tinham se tornado grandes demais para se organizarem organicamente. O estabelecimento de regras, assim, tinha como missão padronizar processos e comportamentos e, com isso, ganhar eficiência.

Na prática, porém, ocorrem disfunções no funcionamento deste modelo de gestão – entre eles, o desestímulo à inovação e alienação do colaborador, cuja função fica reduzida à repetição de um trabalho altamente controlado.

Em um mundo mudado – e suas ferramentas de comunicação imediatas, sua facilidade de acesso à informação e a valorização da adaptabilidade como diferencial – este modelo ficou obsoleto. E é por isso que algumas das empresas mais inovadoras do mundo estão buscando métodos alternativos de se organizar, sem, com isso, engessar a operação.

 

Mas por que a gestão horizontal resolve problemas?

A gestão horizontal tem seu princípio básico em uma estrutura sem valorização de relações de poder. Contrapõe-se à gestão vertical (derivada da hierarquia) como uma forma mais participativa, em que as decisões são tomadas em conjunto e, portanto, as responsabilidades são divididas entre os membros do time.

Basicamente, esse modelo de gestão se apoia na ideia de que os trabalhadores são mais produtivos quando são envolvidos nos processos de decisão do que quando são supervisionados por uma cadeia de chefes (neste texto, também falamos por que trabalhar em uma empresa com alta autonomia e baixa burocracia).

E não existe só um jeito de implantar essa estrutura. Na realidade, as empresas podem adotar diferentes níveis de horizontalidade, dependendo de quanta hierarquia desejam eliminar. O próprio Google, famoso por popularizar o modelo, não abandonou completamente a hierarquia (relembre aqui a cultura de autonomia do Google, que já abordamos no blog). Outro gigante, o Netflix, também adotou apenas parcialmente o modelo.

Por fim, uma empresa sem burocracia também exige funcionários não-burocratas. Com diferenças fortes em relação às estruturas consideradas tradicionais, a gestão horizontal, para funcionar, precisa de funcionários com perfis proativos, que se deem bem com a autonomia e liberdade – o que não acontece sempre.

E você, acha que tem perfil para se adaptar a esta cultura de autonomia e horizontalidade?

 

por Nathalia Bustamante, do Na Prática

A Stone é grande parceira do portal Na Prática por também acreditar no potencial de investir no desenvolvimento pessoal e gestão de carreira dos jovens universitários e recém-formados. Mensalmente, o portal publica textos no nosso blog, na seção Fundação Estudar.